#prontoFalei

O mundo do rock sempre foi tachado, tanto positivamente quanto negativamente, seja por gente da antiga ou da nova geração, buscando um rótulo para o som que se toca ou para o que se ouve. Não é difícil ouvimos pessoas se dizendo “emos”, “punks” ou qualquer outra forma de se colocar dentro de um grupo musical. Não é raro também as pessoas serem colocadas dentro dessas classes musicais, seja pelo modo de se vestir, pelo modo de pensar ou pelo qualquer outro motivo.

A todo o momento, em todos os cantos do mundo surgem bandas novas, modos novos de se apresentar no palco, de tocar, de se relacionar com o público. Todas buscam o seu espaço dentro de um determinado local, utilizando da Internet, da divulgação “boca a boca”, da ajuda de amigos. O rock realmente muda o modo de agir das pessoas, de se relacionarem ou, simplesmente, de enxergarem a vida. Quando se tem uma banda de rock, tudo vira rock. Emoções viram músicas, melodias são criadas, respira-se a música a cada momento do dia. A necessidade de tocar para o público, criticar ou elogiar, é mais do que necessária para a evolução do grupo. Porém, poucas bandas conseguem um lugar de destaque no cenário do rock. Digo na explosão do sucesso, com as músicas nas rádios e shows gigantescos. A partir disso, os festivais independentes surgiram como uma excelente forma das bandas menores apresentarem o seu trabalho e serem reconhecidas.

Com uma estrutura menor, geralmente em casas de show de pequeno porte, preços acessíveis, uma estrutura de palco simples, seja no tamanho, na iluminação ou nos equipamentos, tais festivais agregam uma enorme quantidade de bandas e de um publico fiel, animado e sem preocupações com tais problemas estruturais. O ambiente desses locais leva diretamente ao rock: ao alto som das guitarras, muitas vezes a dificuldade em se ouvir a voz, a escuridão, a bateria a todo vapor, ao mosh, as “rodas punk” (conhecidas como “bate cabeça”). Toda essa cultura está diretamente ligada aos festivais independentes, justamente por ser evitada nos grandes eventos das bandas “famosas”. O momento do show é essencial para o público interagir diretamente com a banda, seja curtindo as músicas, cantando a poucos metros ou conversando no pós show. O independente aproxima as pessoas.

Existem os problemas de um festival, como tudo na vida há algo contrário. Possivelmente, dinheiro seja o maior. Além disso, uma boa estrutura de som está em segundo lugar. Acho que as dificuldades não atrapalham o bom andamento do evento, principalmente porque os músicos querem mesmo estar tocando, precisam divulgar o seu som e o público entende o recado e curti até o fim, mesmo nem conhecendo a banda. Ir a um festival independente por causa da banda de um conhecido é fato, o que acaba muitas vezes fazendo com que o desconhecido som de uma banda virar sua predileta. Esta conquista de novos públicos também é o atrativo de tais festivais. Todas querem se divulgar.

“Em a população enxerga o mundo alternativo como um mundo de rebeldia, muitas drogas e baixaria”, resume Marcelo Gomes, 23 anos, cantor e guitarrista da Banda MUL e organizador de muitos festivais na cidade. O músico vem organizando festivais independentes a anos na cidade e já trouxe grandes nomes da cena como Glória, Voiced, Dance of Days, Dead Fish, Aditive, entre outros. Preconceito por causa de suas roupas, cabelo e gosto musical sempre fizeram parte da vida do músico, assim como a proposta de produtores para suas bandas tocarem em troca de altos valores ou pela “cota de ingresso”. O sonho das bandas, segundo Marcelo, é ser conhecido e tocar pra grandes públicos, porém, muitos desistem por falta de apoio ou oportunidade. A experiência o fez nunca ter problemas extras, justamente por organizar tudo corretamente, visando o bom show e a sua qualidade.

Muitas vezes, ser independente torna-se uma ideologia. Você fica independente por vontade, existindo até o pensamento de traição, de “ser vendido” para uma gravadora. Existem os dois lados da moeda e não vou discuti-los, cabe a cada banda ver o melhor. O independente movimenta a cena, trás bandas novas, novas fãs, novos públicos, novos festivais, cria contatos e laços de amizade. O underground é chique. Ser independente está na moda e trás sim coisas boas.

 

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~ por Pedro A. Chavedar em 26/01/2010.

2 Respostas to “#prontoFalei”

  1. ta demais.As fotos ficaram muito booaas,como sempre =D

  2. É uma foda essa “transferência” do underground pra “cena pop”. Marcelo D2 é exemplo disso. Tinha o Planet e cantava “uma erva natural não pode te prejudicar”. Hoje, se coloca contra a maconha em algumas entrevistas. Ganhar dinheiro todo mundo quer. Problema é vender ideologia.

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