#cornetaMusical

O #cornetaMusical contará com amigos corneteiros sobre o seu mundo do rock, seus gostos, shows antológicos ou qualquer experiência relacionada com o meio. Para emitir os primeiros sons das cornetas, vem Leonardo Sacco, meu grande amigo, falando de um dos ícones do rock nacional: Chico Science e a sua Nação Zumbi.

                  O caranguejo que conquistou o mundo

Witold Gombrowicz, escritor de origem polonesa, afirmou em um de seus devaneios que a arte perturba os satisfeitos e satisfaz os perturbados. Francisco Assis de França foi um insatisfeito que perturbou com sua música. A antena mais alta do mangue do Recife passou rápido pela Terra, tempo suficiente para deixar para sempre em nossas cabeças a sua mensagem manguefônica.

Foi no 13 de março de 1966 que veio ao mundo aquele que seria um dos maiores poetas modernos da língua portuguesa. O Francisco virou Chico e a fixação pelo cibernético adicionou o Science. Chico Science foi para muitos o que de melhor aconteceu na década de 1990 para o cenário musical brasileiro. Com suas letras fortes, fez o mangue ser ouvido misturando uma quantidade de ritmos infindáveis. Do frevo ao maracatu, somou as batidas típicas do Recife com os acordes de baixos e guitarras e também batidas eletrônicas. Criou, assim, o Mangue Beat.

Chico não criou apenas conceitos musicais, conseguiu ir além. Sua boa mistura era executada por uma nação de zumbis, parte integrante da banda que consagrou o músico no Brasil, Chico Science & Nação Zumbi. E é aqui que começa a nossa história, é aqui que começo realmente meu texto para o Mundo Rock.

A intensidade da música foi notada logo de cara, no título do álbum de abertura. Da Lama ao Caos revolucionou o jeito de fazer música no Brasil. Lançado em 1994, o álbum começa com a inacreditável vinheta Monólogo ao Pé do Ouvido, hit posteriormente consagrado na versão feita pelo Planet Hemp para a música Samba Makossa, um dos grandes sucessos de Da Lama. Emendado com a abertura do CD eis que chega Banditismo por uma Questão de Classe, talvez um resumo do que queria Chico. Criticando toda uma estrutura vigente, os músicos de Recife misturaram guitarras potentes com o batuque das alfaias para ilustrar a periferia brasileira.

O álbum ainda trouxe sucessos como Rios, Pontes & Overdrives, clara descrição de Recife, ou a já citada Samba Makossa. A Praieira e o hit que dá nome ao CD também são necessárias nas listas de reprodução de qualquer fã de Mangue Beat. Da Lama ao Caos conseguiu, em pouco tempo, se consagrar como um dos melhores discos da música brasileira. Sua originalidade inspirou outros artistas, que até hoje saem dos mangues para o Brasil. A ciberdelia proposta por Chico e sua Nação estão, então, apresentadas para todo o país.

E a história continuou em 1996, dois anos após o lançamento do primeiro disco. Afrociberdelia foi a proposta definitiva de Chico Science para o mundo. Mostrou sua cara com um dos maiores sucessos da banda, Maracatu Atômico. Com rimas perfeitas, faz quem o ouve viajar por dentro de um colorido maracatu turbinado com guitarras, baixos e muitas batidas eletrônicas. O maracatu moderno de Chico Science & Nação Zumbi desfila por todo o Brasil, fazendo fãs em todas as regiões, entre todas as cores e credos.

Dois álbuns lançados, uma ideia no ar e muitos seguidores. Tudo isso foi colocado à prova quando o Fiat Uno no qual estava Chico bateu em uma estrada entre Olinda e Recife, em 1997. Um freio mal feito, no entanto, não conseguiu frear as ideias do revolucionário caranguejo.  O satélite manguefônico já havia transmitido seu pensamento, e pensamentos, meus caros, não morrem.

Em uma de suas mais estupendas letras, Chico Science fala em desorganizar para organizar. Desorganização essa que ele começou, e que não foi em vão e sequer acabou. Sem Chico, a banda virou só Nação Zumbi. Jorge Du Peixe deixou as alfaias e passou para os vocais, e o grupo continuou lançando discos. Se consolidou como uma das maiores e melhore bandas de rock do Brasil. Rock? Não, Chico Science & Nação Zumbi são como o brasileiro: uma mistura de tudo que há de bom.

Conheça Chico e sua Nação

Se você não conhece Chico Science & Nação Zumbi, faço aqui uma seleção de músicas que apresentam bem a banda e suas devidas descrições.

Maracatu de Tiro Certeiro (Da Lama ao Caos) – “Urubuservando a situação”. É assim que começa uma das melhores músicas do grupo. Com batidas fortíssimas de maracatu, é rápida e, como prevê o título, certeira. Um chute nos lugares doloridos daqueles Urubus da sociedade.

Maracatu Atômico (Afrociberdelia) – Uma das melhores músicas que já passaram para dentro da minha cabeça. Uma dança de cores e ritmos que encanta e empolga. Misturando riffs de guitarra e batidas eletrônicas às batucadas do maracatu, consegue mostrar ao mundo o verdadeiro ritmo de Chico Science.

Da Lama ao Caos (Da Lama ao Caos) – Ácida do início ao fim, a música que dá título ao primeiro álbum do grupo é o hino do Mangue Beat. As batidas fortíssimas nas alfaias se misturam às guitarras quase que violentas, nessa música que parece socar a cara da sociedade. Obra prima de Chico Science.

Computadores fazem arte (Da Lama ao Caos) – Em pleno começo de década de 1990, a banda prevê os computadores tomando nossos postos. Eles fazem arte e nós, dinheiro. Letra de Fred Zero Quatro, do Mundo Livre S/A, e batidas eletrônicas fascinantes.

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~ por Pedro A. Chavedar em 28/01/2010.

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