Na volta do “Mundo Rock”, o post de hoje é do músico, cantor, boêmio, escritor e pseudo-publicitário Luiz Bellini, vocalista do Novos Usados.

 TITÃS – CABEÇA DINOSSAURO

  Queria primeiramente agradecer a oportunidade de poder escrever aqui. Adoro escrever, adoro também beber e beijar meninas bonitas, mas no momento escrever é único prazer acessível. Enfim, se tem uma coisa que eu realmente gosto é escrever. Não sou nenhum depressivo ou barbudo de carteirinha. Venho aqui hoje pra falar de uma coisa que eu gosto muito, a música. Não a sua música, a minha, pois eu quero que você se foda se não curtir o que eu gosto. Brincadeira, eu sou eclético.

  Mas enfim, vou falar sobre uma gloriosa banda e principalmente sobre seu glorioso álbum: Titãs e seu “Cabeça Dinossauro”.

Para variar, eu não era vivo quando ele foi lançado, tão pouco o ouvi na infância. Não sei como descobri, mas obviamente foi em decorrência do Acústico MTV de 1997. Neste sim, eu já era vivo, gordo e escutava muito. Por sinal, um dos melhores acústicos nacionais. O Titãs nesta altura, já não era aquela efervescência musical do final da década de 80, mas sim uma banda madura (infelizmente).

Fui crescendo e um dia me deparei com este disco na casa do infeliz do meu pai. Se não me engano as únicas coisas legais que tem na casa do meu pai são seus discos e minha vó. Ele então viu que eu admirava a capa do disco, uma obra de Leonardo Da Vinci que de tão feia, de tão horrenda, nos atrai. Meu pai contou sobre a maldição do disco. Ele o culpava por ter perdido o emprego. Disse que em uma noite voltando do serviço com o carro da empresa, se exaltou com o som emitido de seu toca fitas e não deu outra. Como a própria faixa do álbum, tudo acabou em “Porrada”. No caso dele, na parede. Bateu o carro, perdeu emprego, culpou o Titãs.

Aquela história me animou, pois nada melhor que ver seu pai se fodendo. Resolvi então escutar o álbum maldito (para ele).

A primeira faixa realmente é sem comentários. Não há explicação lógica sobre a lógica dessa música, ela apenas é e não é mais do que isso. A faixa título é a síntese de todo o trabalho, uma crítica apoiada na podridão. Uma crítica com razão. A segunda faixa é a eloqüência em forma de música. Uma guitarra swingada juntamente com gemidos, essa é “AA/UU”. A loucura aqui assume o lugar.

É então que chega a terceira música, “Igreja”, que segundo minha tia, foi feita pelo Diabo, mas na verdade foi feita pelo Nando Reis, um cara que possivelmente é mais feio que o próprio Diabo. Uma letra com raiva e rancor, vinda diretamente de um homem que foi criado sobre os conceitos do catolicismo. Dizem que Arnaldo Antunes nunca apoiou esta música e se retirava do palco quando ela era tocada. Sei lá, sou católico também, mas essa música é sensacional, me faz querer ser ateu, mas isto está na moda, então…

Não vou ficar retratando todas as músicas aqui, isto é meio chato, vou apenas dizer que “Polícia” é um clássico do rock brasileiro, “Estado Violência” é uma bela crítica ao nosso querido Brasil ( zil-zil-zil).

Vou falar especialmente de uma música. De uma lenda, de uma melodia funkeada (não o seu funk, tigrão) e de uma letra insuperável. Contam que a ideia desta música foi feita em uma noitada, onde eles iam cantando os versos ao ar da noite. Colocar frases como “oncinha pintada, zebrinha listrada, coelhinho peludo, VÃO SE FODER”, era uma ousadia e ao mesmo tempo, pura poesia. Claro, não pode deixar de falar da voz de Paulo Miklos, o ícone. “Bichos Escrotos” é o ápice do disco e possivelmente o ápice da banda. É a fúria que nunca mais foi vista na banda.

  

De quebra, ainda tem clássicos como “Família”, uma música totalmente sub, com sua crítica forjada em cima de uma melodia calma e interessante. Vale também ouvir “Homem Primata”, com sua melodia simples e seu refrão sensacional e sincero.

Bem, se eu posso dar um conselho, escutem este álbum, sintam este álbum. Passem para seus amigos, seus filhos, sua sogra maldita, seu sogro palmeirense. Sintam raiva, sintam ódio, pois homem nenhum é homem sem ser o que não se pode. Não seja como o “Titãs” e vire pop, seja um cabeça dinossauro, tenha um espírito de porco e só não fique com uma pança de mamute, porque as gatinhas não vão lhe querer.

 Se você é brasileiro, curte rock e sabe que sua vida é suja e desprezível, este é seu disco.

Obrigado, fui.

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~ por Pedro A. Chavedar em 17/12/2010.

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