#myPhone

•01/02/2010 • Deixe um comentário

Exatamente a 10 anos, na cidade de Porto Alegre, quatro jovens estudantes resolveram colocar em prática o sonho de uma banda de rock. Lucas, Vavo, Cuper e Leandro fundaram o Democratas, um conjunto criado para se apresentarem nos famosos festivais internos dos colégios brasileiros. Desde estão, o grupo só cresceu. Em 2001, o Democrata transformou-se na Fresno.

(Fonte: Fotolog Oficial - http://www.fotolog.com.br/fresnorock/41570494 )

A história começa com uma demo que nunca foi lançada: O Acaso do Erro (2001) contém 6 faixas, gravadas bem simploriamente, dignas de uma demo clássica. Na minha modéstia opinião, existem músicas sensacionais nesse trabalho, como “Seu namorado é um idiota” e “A Sete Palmos do chão”, músicas que mereciam uma regravação com toda a certeza. O próprio nome das músicas mostra o lado mais triste/pra baixo/deprê das composições, também ilustrada em outras faixas como “Mundo injusto” e “Se algum dia eu não acordar”. Porém, apenas com o Quarto dos Livros (2003), a banda mudou-se para São Paulo e o lançou oficialmente em um show no Hangar 110. Logo, a banda começou a ser conhecida no meio underground. Como ouvinte da banda, este CD compete com o Ciano em ser  o melhor da banda e tenho a felicidade de tê-lo. Todas as músicas são boas. Duas são essenciais de se conhecer: “Mais um Soldado” e “1 eu sem 1 você”. Neste trabalho, há uma regravação de “Se algum dia eu não acordar”, demonstrando a importância dessa música.

Logo, as coisas aconteceram. Outro CD, o Ciano (2006) foi o estopim do sucesso para o publico. Existem músicas antológicas, como “Cada poça dessa rua tem um pouco de minhas lágrimas” e “A Resposta”, além de regravações de outros CD’s, como “Sono Profundo”, “Teu Semblante” e “Stonehenge”. Em seguida, veio a gravação de um CD da MTV com outras bandas, a entrada do baixista Tavares para o quarteto e, em 2008, o novo CD Redenção, já pela Arsenal Music, foi gravado. No mesmo momento, o baterista Cuper deu lugar a Bell.

(Foto: Luringa)

Essa pequena história da banda mostra o longo caminho percorrido pelas bandas da cena underground que sonham em conquistar um publico, conseguir fazer o seu som chegar a todos os locais, mantendo o rock como foco do trabalho. É notável a presença constante do rock nas músicas do grupo. Claro que existem as músicas ditas “mais calmas”, porém, todas possuem o toque do ritmo rockeiro. Abusando do seu talento como piano, Lucas o utiliza muito, fazendo uma grande apresentação quando senta no banco para tocá-lo. Um exemplo claro disso é na música “Alguém que te faz sorrir”

Para esse ano, a banda vai lançar seu quinto álbum, chamado de Revanche. Vavo, o guitarrista, disse em entrevista para a Rede Record que o trabalho “vai reforçar o lado rock da banda”. As gravações estão acontecendo esta semana no estúdio Midas. Ao longo dos shows do ano passada, a banda deu prévias de 2 músicas: “Revanche” e “Você vai chover”. A primeira, bem rock, com as guitarras bem fortes, solos e muita pegada mesmo. A segunda, pelo vídeo divulgado, parece ser mais no estilo piano, na levada de “Alguém que te faz sorrir”. Mas nada de certo. Vai que teremos surpresas.

Aguardamos ansiosamente pelo lançamento do novo CD que promete ser o melhor da banda. Se a pegada se mantiver a mesma, a qualidade musical aliada ao dom da rapaziada, com certeza a galera vai gostar demais. O mais extraordinário na Fresno, como fã, são as letras, fugindo completamente do normal, do básico e do banal. Isso que faz da Fresno a Fresno. E isso, tenho certeza, não vai se perder nesse novo trabalho.

Setlist provisório do “Revanche”  (Fonte: Twitter Oficial Fresno)



 
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#cornetaMusical

•28/01/2010 • Deixe um comentário

O #cornetaMusical contará com amigos corneteiros sobre o seu mundo do rock, seus gostos, shows antológicos ou qualquer experiência relacionada com o meio. Para emitir os primeiros sons das cornetas, vem Leonardo Sacco, meu grande amigo, falando de um dos ícones do rock nacional: Chico Science e a sua Nação Zumbi.

                  O caranguejo que conquistou o mundo

Witold Gombrowicz, escritor de origem polonesa, afirmou em um de seus devaneios que a arte perturba os satisfeitos e satisfaz os perturbados. Francisco Assis de França foi um insatisfeito que perturbou com sua música. A antena mais alta do mangue do Recife passou rápido pela Terra, tempo suficiente para deixar para sempre em nossas cabeças a sua mensagem manguefônica.

Foi no 13 de março de 1966 que veio ao mundo aquele que seria um dos maiores poetas modernos da língua portuguesa. O Francisco virou Chico e a fixação pelo cibernético adicionou o Science. Chico Science foi para muitos o que de melhor aconteceu na década de 1990 para o cenário musical brasileiro. Com suas letras fortes, fez o mangue ser ouvido misturando uma quantidade de ritmos infindáveis. Do frevo ao maracatu, somou as batidas típicas do Recife com os acordes de baixos e guitarras e também batidas eletrônicas. Criou, assim, o Mangue Beat.

Chico não criou apenas conceitos musicais, conseguiu ir além. Sua boa mistura era executada por uma nação de zumbis, parte integrante da banda que consagrou o músico no Brasil, Chico Science & Nação Zumbi. E é aqui que começa a nossa história, é aqui que começo realmente meu texto para o Mundo Rock.

A intensidade da música foi notada logo de cara, no título do álbum de abertura. Da Lama ao Caos revolucionou o jeito de fazer música no Brasil. Lançado em 1994, o álbum começa com a inacreditável vinheta Monólogo ao Pé do Ouvido, hit posteriormente consagrado na versão feita pelo Planet Hemp para a música Samba Makossa, um dos grandes sucessos de Da Lama. Emendado com a abertura do CD eis que chega Banditismo por uma Questão de Classe, talvez um resumo do que queria Chico. Criticando toda uma estrutura vigente, os músicos de Recife misturaram guitarras potentes com o batuque das alfaias para ilustrar a periferia brasileira.

O álbum ainda trouxe sucessos como Rios, Pontes & Overdrives, clara descrição de Recife, ou a já citada Samba Makossa. A Praieira e o hit que dá nome ao CD também são necessárias nas listas de reprodução de qualquer fã de Mangue Beat. Da Lama ao Caos conseguiu, em pouco tempo, se consagrar como um dos melhores discos da música brasileira. Sua originalidade inspirou outros artistas, que até hoje saem dos mangues para o Brasil. A ciberdelia proposta por Chico e sua Nação estão, então, apresentadas para todo o país.

E a história continuou em 1996, dois anos após o lançamento do primeiro disco. Afrociberdelia foi a proposta definitiva de Chico Science para o mundo. Mostrou sua cara com um dos maiores sucessos da banda, Maracatu Atômico. Com rimas perfeitas, faz quem o ouve viajar por dentro de um colorido maracatu turbinado com guitarras, baixos e muitas batidas eletrônicas. O maracatu moderno de Chico Science & Nação Zumbi desfila por todo o Brasil, fazendo fãs em todas as regiões, entre todas as cores e credos.

Dois álbuns lançados, uma ideia no ar e muitos seguidores. Tudo isso foi colocado à prova quando o Fiat Uno no qual estava Chico bateu em uma estrada entre Olinda e Recife, em 1997. Um freio mal feito, no entanto, não conseguiu frear as ideias do revolucionário caranguejo.  O satélite manguefônico já havia transmitido seu pensamento, e pensamentos, meus caros, não morrem.

Em uma de suas mais estupendas letras, Chico Science fala em desorganizar para organizar. Desorganização essa que ele começou, e que não foi em vão e sequer acabou. Sem Chico, a banda virou só Nação Zumbi. Jorge Du Peixe deixou as alfaias e passou para os vocais, e o grupo continuou lançando discos. Se consolidou como uma das maiores e melhore bandas de rock do Brasil. Rock? Não, Chico Science & Nação Zumbi são como o brasileiro: uma mistura de tudo que há de bom.

Conheça Chico e sua Nação

Se você não conhece Chico Science & Nação Zumbi, faço aqui uma seleção de músicas que apresentam bem a banda e suas devidas descrições.

Maracatu de Tiro Certeiro (Da Lama ao Caos) – “Urubuservando a situação”. É assim que começa uma das melhores músicas do grupo. Com batidas fortíssimas de maracatu, é rápida e, como prevê o título, certeira. Um chute nos lugares doloridos daqueles Urubus da sociedade.

Maracatu Atômico (Afrociberdelia) – Uma das melhores músicas que já passaram para dentro da minha cabeça. Uma dança de cores e ritmos que encanta e empolga. Misturando riffs de guitarra e batidas eletrônicas às batucadas do maracatu, consegue mostrar ao mundo o verdadeiro ritmo de Chico Science.

Da Lama ao Caos (Da Lama ao Caos) – Ácida do início ao fim, a música que dá título ao primeiro álbum do grupo é o hino do Mangue Beat. As batidas fortíssimas nas alfaias se misturam às guitarras quase que violentas, nessa música que parece socar a cara da sociedade. Obra prima de Chico Science.

Computadores fazem arte (Da Lama ao Caos) – Em pleno começo de década de 1990, a banda prevê os computadores tomando nossos postos. Eles fazem arte e nós, dinheiro. Letra de Fred Zero Quatro, do Mundo Livre S/A, e batidas eletrônicas fascinantes.

#prontoFalei

•26/01/2010 • 2 Comentários

O mundo do rock sempre foi tachado, tanto positivamente quanto negativamente, seja por gente da antiga ou da nova geração, buscando um rótulo para o som que se toca ou para o que se ouve. Não é difícil ouvimos pessoas se dizendo “emos”, “punks” ou qualquer outra forma de se colocar dentro de um grupo musical. Não é raro também as pessoas serem colocadas dentro dessas classes musicais, seja pelo modo de se vestir, pelo modo de pensar ou pelo qualquer outro motivo.

A todo o momento, em todos os cantos do mundo surgem bandas novas, modos novos de se apresentar no palco, de tocar, de se relacionar com o público. Todas buscam o seu espaço dentro de um determinado local, utilizando da Internet, da divulgação “boca a boca”, da ajuda de amigos. O rock realmente muda o modo de agir das pessoas, de se relacionarem ou, simplesmente, de enxergarem a vida. Quando se tem uma banda de rock, tudo vira rock. Emoções viram músicas, melodias são criadas, respira-se a música a cada momento do dia. A necessidade de tocar para o público, criticar ou elogiar, é mais do que necessária para a evolução do grupo. Porém, poucas bandas conseguem um lugar de destaque no cenário do rock. Digo na explosão do sucesso, com as músicas nas rádios e shows gigantescos. A partir disso, os festivais independentes surgiram como uma excelente forma das bandas menores apresentarem o seu trabalho e serem reconhecidas.

Com uma estrutura menor, geralmente em casas de show de pequeno porte, preços acessíveis, uma estrutura de palco simples, seja no tamanho, na iluminação ou nos equipamentos, tais festivais agregam uma enorme quantidade de bandas e de um publico fiel, animado e sem preocupações com tais problemas estruturais. O ambiente desses locais leva diretamente ao rock: ao alto som das guitarras, muitas vezes a dificuldade em se ouvir a voz, a escuridão, a bateria a todo vapor, ao mosh, as “rodas punk” (conhecidas como “bate cabeça”). Toda essa cultura está diretamente ligada aos festivais independentes, justamente por ser evitada nos grandes eventos das bandas “famosas”. O momento do show é essencial para o público interagir diretamente com a banda, seja curtindo as músicas, cantando a poucos metros ou conversando no pós show. O independente aproxima as pessoas.

Existem os problemas de um festival, como tudo na vida há algo contrário. Possivelmente, dinheiro seja o maior. Além disso, uma boa estrutura de som está em segundo lugar. Acho que as dificuldades não atrapalham o bom andamento do evento, principalmente porque os músicos querem mesmo estar tocando, precisam divulgar o seu som e o público entende o recado e curti até o fim, mesmo nem conhecendo a banda. Ir a um festival independente por causa da banda de um conhecido é fato, o que acaba muitas vezes fazendo com que o desconhecido som de uma banda virar sua predileta. Esta conquista de novos públicos também é o atrativo de tais festivais. Todas querem se divulgar.

“Em a população enxerga o mundo alternativo como um mundo de rebeldia, muitas drogas e baixaria”, resume Marcelo Gomes, 23 anos, cantor e guitarrista da Banda MUL e organizador de muitos festivais na cidade. O músico vem organizando festivais independentes a anos na cidade e já trouxe grandes nomes da cena como Glória, Voiced, Dance of Days, Dead Fish, Aditive, entre outros. Preconceito por causa de suas roupas, cabelo e gosto musical sempre fizeram parte da vida do músico, assim como a proposta de produtores para suas bandas tocarem em troca de altos valores ou pela “cota de ingresso”. O sonho das bandas, segundo Marcelo, é ser conhecido e tocar pra grandes públicos, porém, muitos desistem por falta de apoio ou oportunidade. A experiência o fez nunca ter problemas extras, justamente por organizar tudo corretamente, visando o bom show e a sua qualidade.

Muitas vezes, ser independente torna-se uma ideologia. Você fica independente por vontade, existindo até o pensamento de traição, de “ser vendido” para uma gravadora. Existem os dois lados da moeda e não vou discuti-los, cabe a cada banda ver o melhor. O independente movimenta a cena, trás bandas novas, novas fãs, novos públicos, novos festivais, cria contatos e laços de amizade. O underground é chique. Ser independente está na moda e trás sim coisas boas.

 

#falaQueEuTeLeio

•22/01/2010 • 6 Comentários

“Vamos viver do rock até que a morte nos separe”. Tal frase mostra a grande vontade de se manter na música até o fim. Para inaugurar o blog “Mundo Rock”, a primeira presença no #falaQueEuTeLeio é do guitarrista da Banda Méta, Cacá. No auge de seus 19 anos, além da guitarra, toca piano e brinca nas composições eletrônicas, tanto para a banda como para hobby. Skate e surf fazem parte do casting de seus esportes; o perfeccionismo ajuda ou atrapalha diariamente. Sempre termina de subir as escadas com o pé direito e não deixa o volume da televisão fora dos múltiplos de 5. De amigo para amigo, o papo rolou informalmente e o resultado está ai.

 

1. Como é o seu mundo do rock?

Pra mim é outra dimensão. Quando se trata de rock, fans, bandas, a minha própria banda (Méta), é uma coisa surreal. Acho que não conseguiria definir meu mundo do rock com poucas palavras. Ta aí um livro pra eu lançar! (risos)

2. O que é o rock pra você?

Rock pra mim é tudo, é minha vida. Meu dia-a-dia se baseia em torno do rock. É uma forma de se expressar, nem por isso uma forma agressiva, e sim uma forma muito poderosa, seja de expressar raiva, amor, ou qualquer outro sentimento passado pela sua música. Distorção + Feeling + fãs + etc. = Rock. É rock.

3. Como o rock surgiu na sua vida?

Quando estava vendo um show do Bon Jovi, com 11 anos aproximadamente. Meus olhos brilharam ao ver Richie Sambora solando. Na época, eu, meu pai e meu tio piramos, e desde então, comecei a estudar e nunca mais parei. Hoje tenho uma banda chamada Méta, onde acabamos de assinar um contrato com uma produtora e gravadora, a Sawaya, e desde então, vamos viver de rock até que a morte nos separe! (risos)

4. Fale um pouco da sua Banda Méta?

É uma banda de Rock, pode se dizer também um Rock mais Pop. Somos 4 integrantes: eu na guitarra e backing, o Gab nos vocais e na também na guittara, o Rodo no baixo e segunda voz e o Japa na bateria. Nessa época, a gente ta gravando nosso primeiro cd e prontos pra viver de rock, viver na estrada!

5. Como é gravar o primeiro CD?

É surreal. Ver nosso sonho se realizando a cada momento, pra gente está sendo inexplícável, superando expectativas. Um sonho. sempre é meio complicado, mas ta sendo muito prazeroso! Não está sendo tão demorado. Estamos nos preparando muito e não temos pressa, queremos que seja perfeito, afinal, é nosso CD, nosso primeiro CD! A ideia de gravá-lo surgiu depois que assinamos o contrato com a produtora!

6. Qual o sentimento em cima do palco? Sempre há o “friozinho na barriga antes do show?

O friozinho sempre rola, uma adrenalina de ver a galera maluca pulando e cantando suas músicas. É um sentimento inexplicável, um vício que não quero largar nunca mais!

7. Como era o Cacá há 5 anos atrás, como é hoje e como vai ser daqui 5 anos?

Então, o Cacá de 5 anos atrás é o mesmo de hoje, mas mais encorpado! (risos). Minha cabeça sempre foi à mesma, mesmos sonhos, princípios os mesmos, só que não tinha tanta esperança de viver de rock! Me vejo daqui 5 anos em cima dos palcos, lançando outros CD’s, tocando no Brasil inteiro. Sempre com a música!

8. Você usa bastante a Internet para a divulgação da banda? Como funciona isso?

Com certeza! 80% da nossa divulgação é feita pela internet. É a ferramenta mais poderosa de divulgação hoje em dia, com certeza, e muitas portas abriram pra Méta por causa da internet. Divulgamos por Orkut, Msn, Twitter, Fotolog, MySpace e outros. Ela é feita por nós mesmos, pela produtora e pelos fãns!

9. Existe um lugar que você mais queira tocar?

Bom, existem vários lugares muito legais que gostaria de tocar sim. Mas hoje não vejo por esse lado. Se tiver um lugar onde todos nossos fãs possam assistir o show com conforto e afins, será o melhor lugar com certeza! Mas com certeza nessas grandes casas de shows, abertura de uma banda gringa em um estádio. Mas tudo ao seu tempo!

10. É bom ser do mundo do rock?

Ah, com certeza! Até quem toca forró, axé, pagode, funk , já passou pela cabeça ser um Rockstar. (risos) Mas pra quem gosta, é um sonho, sem palavras!

 

 

Banda Méta

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